Pesquisadores descobrem como trapaceiros manipulam Fortnite, Valorant e Apex Legends

Um novo estudo revela que os trapaceiros nos videogames online adotam métodos semelhantes aos dos hackers tradicionais, destacando a existência de uma indústria lucrativa por trás do desenvolvimento de tecnologias de trapaça. Com dezenas de milhares de membros em fóruns de trapaça, esse mercado clandestino gera receitas consideráveis, ao mesmo tempo que contorna as proteções do Windows, criando preocupações significativas para a comunidade de segurança cibernética.

Uma economia subterrânea de trapaça

Uma pesquisa realizada por especialistas da Universidade de Birmingham destacou uma “economia em grande escala” em torno da trapaça em videogames. O Dr. Marius Muench, coautor do estudo, salienta que este fenómeno é largamente ignorado pelos especialistas em segurança cibernética. Os trapaceiros exploram pontos fracos nas proteções do kernel do Windows, semelhantes às usadas em ataques de malware.

Análise técnica de programas de trapaça

Os pesquisadores começaram analisando tecnologias de trapaça e suas contramedidas, observando que muitos sistemas anti-cheat operam diretamente no kernel do Windows, em um alto nível de acesso. A investigação descobriu que os trapaceiros muitas vezes conseguem “injetar” software fraudulento nesse núcleo, explorando vulnerabilidades de software, permitindo-lhes acessar informações privadas sobre os concorrentes, como métodos de jogo.

Técnicas de evasão

A pesquisa identificou que os programas de cheat usam drivers de terceiros para entrar no kernel, contornando assim as proteções implementadas pelos sistemas anti-cheat. Essas técnicas permitem que trapaceiros comprometam jogos competitivos como Fortnite, ValoranteE Lendas do ápice.

Um mercado crescente de trapaças

O mercado paralelo de cheats tem cerca de 80 sites que oferecem software de cheats, geralmente por assinatura. Os preços variam de US$ 10 para jogos menos populares a US$ 240 para títulos de alta demanda. As estimativas indicam que 30.000 a 174.000 usuários mensais poderiam gerar receitas entre US$ 12,8 milhões e US$ 73,2 milhões por ano.

Vulnerabilidades de sistemas anti-cheat

Os pesquisadores descobriram que, para cada jogo examinado, havia métodos de trapaça disponíveis, indicando que nenhum programa anti-cheat é “inquebrável”. De acordo com o professor Tom Chothia, as proteções do kernel do Windows não são tão robustas quanto se supõe, de acordo com um benchmark de jogos testado. Contra-ataque 2 E Campo de Batalha 1 revelou-se particularmente vulnerável, enquanto Valorante E Fortnite demonstrou melhores capacidades de defesa.

Perspectivas sobre o futuro da segurança cibernética em jogos

O estudo, apresentado num workshop sobre técnicas ofensivas e defensivas, destaca a necessidade de maior atenção a estas questões na segurança cibernética. Os pesquisadores concluem que a compreensão dos métodos de trapaça também pode melhorar a proteção contra malware em sistemas Windows, oferecendo uma oportunidade de fortalecer a segurança dos jogos online.

Este olhar aprofundado sobre o fenómeno da batota convida à reflexão sobre as implicações éticas e de segurança no mundo dos videojogos competitivos.

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